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as pessoas não
tinham os mesmos olhos
O marinheiro tem
aquele uniforme, o amor também. Quando preciso pensar em você, pensar
em você uma última vez, eu o dispo. Não sei como consegue ir embora
nu, mas você vai, você não tem vergonha, seu corpo é lindo. Enquanto
tento passar pela fronteira, depois de todos esses arranhões, joelho
ralado, tatuagens feias, baratas, pareço um inseto, com um pescoço
enorme, torto, sou barrado no seu pensamento, apenas as lolitas
voluptuosas passam. Retoques com lápis crayon não são suficientes, eu
sei, sou uma rachadura na lua, mas é o que eu sou. E o verbo
"ser" jamais conseguiu me despertar dos meus sonhos.
Simplesmente, não consigo fazer minhas malas. O sonho se dissipa em dez
mil pedaços e eu também me dissipo em dez mil pedaços. Quem controla
tantos egos é uma hostess sorridente, ela diz que é muito melhor dançar
ao invés de pensar. É por isso que estou dormindo.
interno
Átrio,
onde você está? Ele pode sentir meu abraço e baunilha, gostaria que
você presenciasse. Sua cauda negra, longa, a aneleira, é também por
onde me comunico com os alienígenas. Ele veio disfarçado de "meu
amor", quer disfarce mais cruel? Onde encaixamos os nossos modelos
perdidos? Ele vai sublocando os halos como se fosse tirar a poesia da
verdade, estou chocado com o seu jeito de esconder a lua e seus círculos
brilhantes. Não sinto mais vontade de brilhar, quero refratar. É,
definitivamente, uma despolarização. Doloroso. Aprendizado. Os
sagitarianos ficam quase ridículos com essa falta de vergonha saudável
que eles têm, é algo que eu precisaria ter também. "Como"
"possuir"? Eu, aluado e desprezado como uma ofensa. Você
percebe, o mundo está para fora. Átrio, onde você está?
pela
estrada, pela estranheza O
caminho que o artista percorre para chegar em qualquer lugar é longo,
mas há uma paisagem que compensa. Por isso eu me sinto fantástico, e
cansado. A salvação sabe onde estou, mas eu não sei onde está a
salvação. Não estou perdido. A minha temperatura estava errada.
Escrevi a própria pele da estrada. Em meus próprios termos, vivendo,
consigo escrever o conto sobre os anjos colossais, e o sinto maduro e
verdadeiro, mas depois vem o silêncio, a inércia, a saudade... Ele
continua incompleto. Eu continuo incompleto. Mas serei para sempre
assim. Por enquanto, deixo o cara brilhar completamente na minha memória.
Eu desfaço as coisas feias que eu fiz. Desmoronando como uma nuvem ao
voltar para casa. flores
válidas e reflexo
ofício
Sou
o trabalho do redemoinho. Não espero a vida, continuo. Sou uma casa de
campo enorme feita com uma árvore. Procuro mais este sonho, abro com os
dedos rachaduras no meu ego. Gosto das estradas cheias de buracos. E sua
imagem em branco. Elas nos guiam delicadamente pelo plano das estrelas
até nos encontrarmos. É como se o sol dissolvesse o absurdo dos cursos
da distância entre você e eu. Meu coração de abelha, de mil cortes
vermelhos, ao mundo das gotas, oferece sua precipitação. A moral que
me carrega quer tirar a sua roupa estúpida, ela quer o seu gosto
abertamente de manhã, incluindo amargos espectros da sua boca, e o doce
açúcar do seu mau humor. Bebo o sangue do monstro que dorme no meu
suco de uva. Os espíritos que borbulham nas regiões hostis da mente são
montagens descascadas, não são reais. A vida através dos vidros
manchados é um festival de possibilidades. Faço o trabalho leve, o
restante eu movo em minha sobrevivência, de acordo com o que meus príncipes
querem. Você pensou que eu estava de salto alto, mas eu estava de
joelhos. doces acumulados (lágrimas de um persa)
je
n'ai pas de stylo O
menino que lamina meu perturbado coração com seu estilete no medo,
quando alcança o céu, eu quase o observo. Ele adiciona um gosto impossível
no alvorecer. Ao sol, um renunciado terrível, indiferente brilhar,
levantando terrivelmente cansado para se relacionar com o meu toque
rasgado, os meus contatos de pessoa apaixonada. Isso, que o cobre com
dificuldade, trata-se de mim. Eu me levanto do horizonte da pintura,
brilho com a manhã indiferente, fria, com uma pergunta que eu mesmo
respondo. O pedido totalmente muito sincero sobre as colisões: pare com
elas - esforce-se, por favor. Ele que esteve assim inflexível porque
era ainda muito amoroso, estava ainda assim, terrível, tocando não
mais por muito tempo meu rosto. Daí então ele voou acima da praça, na
avenida. Esticou-se para fora da sua mansão. Sobre o signo original
bloqueado: ser gay. Para ter cuidado. Um minúsculo, macio, coração de
galinha, como o seu, era sujo por dentro, coberto por um veludo quase
liso. Eu me mantive sufocando facilmente por uma feição, seu nariz
urgente, suas mãos de estuprador, elas tiveram que balançar a terra. O
que estava nele era algo para quebrar ou puxar ou causar. Eu-ampère.
bilhões de pássaros
vivendo no telhado
Tenho
um buraco na cabeça como os golfinhos. O cabelo cobre. Eu o vejo como
um caminho mínimo, sob uma abóbada de drupas, através do qual o relâmpago
balneável uiva, quando me curvo diante do espelho e alço os olhos.
Pareço uma criança-demônio penetrando em profundezas perturbadoras.
Porém, não passo de um foguete vagando pela tela do vídeo, contraindo
meu ego. Ainda me divirto com isso. Através dele eu posso me comportar
da maneira que os papéis são feitos para mim, e há uma expansão,
subitamente. Eu jogo um pensamento nesse "poço" e ele aceita,
ele é verdadeiro, não como você, você é o abrigo do coala. Eu sou
um marinheiro. Pensando no vento forte. Espalhando-me e diluindo-me nos
ares pelo sopro do vento norte. Ele carrega minha náusea. Afirmando ser
meu cavaleiro. Lançando os tons do seu vermelho crepitante. Mas eu
esperava ser dispensado da necessidade de voltar para ele. Impossível.
YY's
Agora
eu te "ouço". Então eu disse que você me excitou. Era essa
a minha intenção, ser excitado. Ou excitante, eu não sei. Costumo
sair, sim. Mas meus passeios não são tão excitantes. São... talvez
exóticos, mas não excitantes. Mas eu sou um garoto excitante. Um
garoto excitante que não vai a raves. Eu vou ao shopping
Iguatemi, vejo a vitrine da D&G, choro, e gosto de tomar umas quatro
cervejas supergeladas no Bar do Bocage na Consolação. E-mail eu quase
não uso, não. Legal é fazer programas assim, ir ao teatro sempre. Eu
amo. É o que eu faço da vida. Minha. E gosto de ver a Regina. Às
vezes a gente toma porre de champanhe. E faz produção cultural
desenfreada que dá em nada. Abandonei o curso de artes cênicas e
depois abandonei o curso de psicologia. Caramba. Talvez eu estude
antropologia. Antropologia é legal. Você conhece uma canção chamada my
funny valentine? Gosto de trepar ouvindo my funny valentine.
Caramba. Mas bem baixinho. Porque eu gosto de ouvir a respiração do
outro. Tenho foto sem óculos. Mas eu nem exibo. É uma medida de
segurança que utilizo. Mas existe uma porção de outras medidas de
segurança que eu não utilizo. Eu quase nunca tranco a porta. E me
permito paixão. Caramba. sintoma
pingguo
Eu
queria um beijo de tirar o fôlego. De língua de gato. Cheio de
acrobacias. Um beijo de cama. Eu queria ser o seu baile de chances. O
seu último baile de chances. E ser um barco, abaixo de um céu
ensolarado, movendo-se sob águas nunca vistas, levando você. Queria
ser três crianças perto dos seus olhos ansiosos, satisfeitas,
simplesmente por ouvir os ecos ensolarados do céu. E você dançaria
neste baile, baby, todos nós dançaríamos, pois as memórias morrem. E
as geadas do outono também, elas também morrem. Elas se transformam em
Julho, um fantasma acordando os olhos das crianças ainda sonhando.
Enquanto os dias vão se aproximando do córrego dourado da vida, mais
um dia, que é mais um sonho. sólido
O
outono é o meu assoalho. O ruído do vento, meu discurso decorado. Não
sei se prefiro ver um fantasma ou um leopardo. Então deixo você
escolher como quer aparecer. Pelos olhos dos outros, você é uma história,
um corte no sorriso deles. Acredito que você e o meu travesseiro irão
se encontrar um dia, e você irá descansar nele, comigo, e depois vamos
dar uma festa de cinco dias. Ainda não dormi, até hoje, esperando seus
dedos. Vejo o quanto um desiludido tem paciência para a sorte. Enquanto
isso, me distraio lendo um romance chinês, e às vezes eu me concentro
tanto que quase chego a vivê-lo. Eu me transporto. Aprendi com Sabina
Spielrein, que aprendeu com Jung. Faço pesquisas - estou me
especializando nisso - e me inspiro a fazer filmes sobre a psicanálise.
Plutão solitário, congelado - eu penso nele. E é como me pareço
quando desejo tornar-me verdadeiramente livre. Isso me apaixona. Uma
descoberta: a felicidade, eles usam maquiagem para ela parecer triste.
Algumas noites atrás, sonhei que estava restaurando as ruínas do Fórum
Romano, talvez isso explique o que é minha vida: uma constante reforma,
uma constante espera. Hospedado na Creche Branca, e alguém faz um
carinho na minha cabeça, com eletrodos.
perpétua
você
está perdido O
poeta diz que sonho acordado, que o tom da época desorienta as crianças
e que existo onde se poderia existir outro - tartaruga de água doce.
Deslizo para um lugar onde, à luz nula, observo meu íntimo inimigo e
sua arma. É um truque que me salva - os caçadores não podem ver
qualquer coisa além disso. Deixe-me viver esses movimentos de respirar.
Deixe-me fugir quando sofrer. Eu só quero acordar em cima de você.
Essas miragens. O sonho não mudou, não existe ainda a morte. Então
deixe-me rasgar as paredes. Você pode somente respirar, Hamlet. O
vice-presidente do gelo está dentro da sua caixa de presente. Você
logo se renderá. A chuva que você inventou era a surpresa para o meu
telhado. Seus silêncios longos eram outros habitantes pequenos da
floresta. Os homens novos fazem o divertimento dos velhos. Assim intenso
do amor, assim um caso com um poeta. quando
chove terrores
da renúncia Eu
poderia estar dançando no hall da clínica para doentes mentais com seu
marido se ele não fosse "o médico". E tão belo. Poderia
escolher mesmo qualquer outra coisa no lugar de ser ameaçado pela
enfermeira com seu rímel impermeável. Que ridículo! Poderia ter o
direito de escolher estar longe. Então eu acredito no redesenho, na
recolocação. Pode ser prejudicial entender o seu processo de estender
os braços à minha busca. Mas eu tive somente um outro mundo para viver
perdido: o inconsciente. Portanto dormir não importa. Uma idéia
gigante frequentemente dura a noite toda, mas pela manhã é
transparente. E a transparência então vira uma ilusão grosseira da
realidade. E eu ganho força para querer sempre a mentira. Simplesmente
parece que estou calmo. Há paz na borda da piscina vazia (sem química).
Eu escrevo muito, não possivelmente para resolver-me. Eu penso, faço
projetos, mas é impossível passar ao ato. Eu sou perfeito. Encontro
sempre a solução dos problemas. Dos outros. Mas quando espero que o
gato-do-clube seja amável e tenha olhos, ele é apaixonado pela Evelyn
e se transforma num rato. É quase tão frustrante quanto a verdade.
pausa
corroída pensamento-diagnóstico acesso
ao castelo shy
boy Caramelo
para o coração que pode ser partido. leve
e feérico Definitivamente
eu sou um cone. Por mais inexpressivo e cônico que seja. Mas sou um
cone que se movimenta com desembaraço e não um cone bobão. Um cone
que pensa. Cone de criança; sóbrio, divertido. E os cones amáveis têm
muitos amigos e muitos namorados e gostam de recitar poemas para as
abelhas. Elas bebem muito vinho e sibilantemente cantam a mesma música
repetidas vezes, por isso não se incomodam se você lê em voz alta e
clara um poema gigante e absurdo. É bom. qui
a cassé ce vase? Eu
conheço e acaricio uma árvore e ela acena pra mim de volta,
arremessando uma folha. Com os garotos não acontece assim. E também
eles nunca estão dos dois lados da estrada. Só os de programa.
Discretamente caros e imbecis. Como carros importados que flutuam como
naves espaciais, mas são só lata e propaganda. Quando eu vejo uma saída,
eu giro nela e volto para dentro. Eu puxo o lote, não despacho. Gosto
das faixas, às vezes brancas, às vezes amarelas, dos estacionamentos
dos shoppings. Eu me lembro da sua cicatriz. É aquela que só eu vi, ou
só eu causei, e não existe mais. Estendo para sempre uma toalha na
areia da sua praia, você nunca aparece. Eu olho fixamente para a linha
dos homens elegantes e altos que se esticam para chupar uma estrela e
nunca é você através do asfalto, e eu penso: Essa faixa sou eu. Eu e
os comprimidos mergulhando sobre barras velhas de chocolate no meu estômago.
E eu tenho andado pelos corredores longos e desertos nos sonhos. São
dos supermercados para zumbis no subúrbio do meu inconsciente. Único
lugar onde você aparece. Único lugar onde temos uma casa e podemos
voltar. voltar
pra carmim
(um poema pra você) amostras
Estou
recebendo as flores que não me mandam. E escrevendo as mensagens em lenços
de papel porque assim elas têm duas finalidades. Estou confessando a mágica.
Estou me tornando outro. Ou outra. O tempo todo estou deixando de ser um
pântano. Isso não é mágica, é natureza. Sei isso de várias formas.
É uma espécie de Junho. Eu posso ser impiedoso, mas não devo. A minha
objetividade é a minha fantasia. A minha natureza é o meu objetivo. E
ele não pode ser um enigma a vida toda. Porque nós não temos a vida
toda. É assim, a liberdade ensina cuidadosamente como uma história.
realista
e su Neste
apartamento de idéias e contas atrasadas - danço e alimento os bichos
e cuido das plantas - como se elas fossem reféns - como eu sou - das idéias
e das contas - em troca de água - dos bichos e das plantas - em troca
de alguém que não saiu na foto - danço pra ninguém - para um gato e
a estante branca - o sofá da sala é o espectador que mais me aplaude -
testemunha das vezes que te sento pra ligar pra você e não ligo - são
apenas números - depois são apenas palavras - mas eu não consigo -
acho que prefiro as palavras antes dos números - foto a gente tira pra
esconder em álbum - uma ou outra vai pra porta-retrato - mas tem ainda
aquele vidro que te separa da pessoa - tem sempre alguma coisa que te
separa da pessoa - e tem gente que conversa com isso - eu, por exemplo -
conversas - com paredes - muitas delas num tom abertamente obsceno - já
que elas têm ouvidos - com essas coisas que nos afastam - muros reparam
em mim - vidros me limitam - eu pensei que você fosse um perfume - mas
você é uma foto - uma camisa sem um botão - um ventilador desligado -
um apartamento pra alugar - um grito que a gente fala sem querer - você
não fecha até o fim - reflui e volta - como sonhos esquisitos -
refloresce mas logo me perde - um rio que precisa de um empurrão - um
mar que precisa de um sopro - porque reflui e volta - com números
diferentes nas velinhas de aniversário - por causa dessa louca combinação
de touro com capricórnio - vago e triste - qual deles eu sou? -
realista e su - emagreci - chio com as cigarras - agora minha paisagem
interna mostra um quadro que eu vi no Masp - uma imagem que eu roubei de
um impressionista - e uma bailarina - eu sou as duas coisas. amargo-ofício
Não
sei o que me atrai mais: empresários ou sapatos. Durmo com os dois.
Tento não me apaixonar. Constantemente. Sonho com uma injeção de
nuvem direto no coração. Inferninho. Estou perdido, mas é tão bonita
a compreensão do labirinto. A cidade. É um grande hospital. As bactérias
apaixonadas adoram álcool. O vento está gritando palavras obscenas.
Bate em mim. Não sei o que me assusta mais: o que sobra ou o que falta.
seja
como for Desordem
do lado de fora voltando a funcionar. Tenho envergonhado meus pés,
andando tanto atrás de você. Quando retiram o universo da minha boca,
rodopio no ar, educadamente. Não consigo dormir sem a montanha-russa,
sem o romance e os números do seu telefone que parecem dançarinos. As
conversas são todas pra você. Os problemas da minha vida se acumulam
um sobre o outro e eu continuo arrombando cofres pra você e para
sempre. Vamos subir lentamente as escadas? Vamos. tal
fica
o ar parado os
outros Procuro
algo na bolsa. Não me sinto tão só. Tenho tanta coisa. Minha roupa
parece uma salada. Acho que no meu caso, só com laser. As pessoas no
supermercado me empurram. Elas acham que eu sou um carrinho, por causa
do jeito que eu ando. Meio bicha. Elas querem que eu compre as mesmas
coisas que elas. Mas eu odeio as cartas de amor dos outros. Minha
depressão é uma visita chata, que adora meu sofá, meu café, meu papo
e shop tour também a distrai. Louca. auto-estradas
(entradas, estrelas) comunicação
Mas,
meu bem, você tem sempre uma daquelas noites para fora do mundo. Quando
você bebe demais ou aprecia um quieto amante nu. Ou todas aquelas
noites em que você teve seu sono interrompido por um clube inteiro em
sua cama, capturando aquelas fatias pequenas da vida perfeita com uma câmera
digital. Nem é arte, é um documentário. Nem é perfeita. Enquanto os
generosos tendem a cobrir nosso gosto com uma larga escala de gente
bonita podre, nós determinamos qual é o sentimento que nutrimos pelos
nossos pais amadores, raposas de prata. Podemos ser punks ou
garotos-de-porta, mas somos sempre peças da arte, e podem nos contatar
através de e-mail.
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