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16.2.05
Mas, meu bem, você tem sempre uma daquelas noites para fora do mundo. Quando você bebe demais ou aprecia um quieto amante nu. Ou todas aquelas noites em que você teve seu sono interrompido por um clube inteiro em sua cama, capturando aquelas fatias pequenas da vida perfeita com uma câmera digital. Nem é arte, é um documentário. Nem é perfeita. Enquanto os generosos tendem a cobrir nosso gosto com uma larga escala de gente bonita podre, nós determinamos qual é o sentimento que nutrimos pelos nossos pais amadores, raposas de prata. Podemos ser punks ou garotos-de-porta, mas somos sempre peças da arte, e podem nos contatar através de e-mail.




15.2.05
Eu conheço e acaricio uma árvore e ela acena pra mim de volta, arremessando uma folha. Com os garotos não acontece assim. E também eles nunca estão dos dois lados da estrada. Só os de programa. Discretamente caros e imbecis. Como carros importados que flutuam como naves espaciais, mas são só lata e propaganda. Quando eu vejo uma saída, eu giro nela e volto para dentro. Eu puxo o lote, não despacho. Gosto das faixas, às vezes brancas, às vezes amarelas, dos estacionamentos dos shoppings. Eu me lembro da sua cicatriz. É aquela que só eu vi, ou só eu causei, e não existe mais. Estendo para sempre uma toalha na areia da sua praia, você nunca aparece. Eu olho fixamente para a linha dos homens elegantes e altos que se esticam para chupar uma estrela e nunca é você através do asfalto, e eu penso: Essa faixa sou eu. Eu e os comprimidos mergulhando sobre barras velhas de chocolate no meu estômago. E eu tenho andado pelos corredores longos e desertos nos sonhos. São dos supermercados para zumbis no subúrbio do meu inconsciente. Único lugar onde você aparece. Único lugar onde temos uma casa e podemos voltar.


14.2.05
Eu queria um beijo de tirar o fôlego. De língua de gato. Cheio de acrobacias. Um beijo de cama. Eu queria ser o seu baile de chances. O seu último baile de chances. E ser um barco, abaixo de um céu ensolarado, movendo-se sob águas nunca vistas, levando você. Queria ser três crianças perto dos seus olhos ansiosos, satisfeitas, simplesmente por ouvir os ecos ensolarados do céu. E você dançaria neste baile, baby, todos nós dançaríamos, pois as memórias morrem. E as geadas do outono também, elas também morrem. Elas se transformam em Julho, um fantasma acordando os olhos das crianças ainda sonhando. Enquanto os dias vão se aproximando do córrego dourado da vida, mais um dia, que é mais um sonho.


12.2.05

Dimmy Kieer


10.2.05
voltar pra carmim (um poema pra você)

beijar os mendigos na boca
beijar os garotos de dezesseis anos
oferecer gelo para as bebidas quentes dos vizinhos
deitar sobre o seu ombro sobre a chuva
procurar as maçãs que voltam
comprar um colar da karen
ser a beyoncé
roubar amendoim, esmalte mega shine, argolas de ouro
fugir das luzes fluorescentes, das câmeras, dos bóbis
tomar banho no tanque, tomar banho na banheira
e ver os caras do vôlei de sunga rosa chá
uma canção romântica para as cheerleaders
esquecer minha bolsa e ter que voltar pra carmim

...Ó Feiticeira de Judah que me incendeia e faz voar/ Sereia do meu mar astronave do meu ar/ Edelweiss do Himalaia tu és maia, tu és má/ Tu és a deusa da ilusão e eu te amo...


9.2.05
O menino que lamina meu perturbado coração com seu estilete no medo, quando alcança o céu, eu quase o observo. Ele adiciona um gosto impossível no alvorecer. Ao sol, um renunciado terrível, indiferente brilhar, levantando terrivelmente cansado para se relacionar com o meu toque rasgado, os meus contatos de pessoa apaixonada. Isso, que o cobre com dificuldade, trata-se de mim. Eu me levanto do horizonte da pintura, brilho com a manhã indiferente, fria, com uma pergunta que eu mesmo respondo. O pedido totalmente muito sincero sobre as colisões: pare com elas - esforce-se, por favor. Ele que esteve assim inflexível porque era ainda muito amoroso, estava ainda assim, terrível, tocando não mais por muito tempo meu rosto. Daí então ele voou acima da praça, na avenida. Esticou-se para fora da sua mansão. Sobre o signo original bloqueado: ser gay. Para ter cuidado. Um minúsculo, macio, coração de galinha, como o seu, era sujo por dentro, coberto por um veludo quase liso. Eu me mantive sufocando facilmente por uma feição, seu nariz urgente, suas mãos de estuprador, elas tiveram que balançar a terra. O que estava nele era algo para quebrar ou puxar ou causar. Eu-ampère.


3.2.05


Agora eu te "ouço". Então eu disse que você me excitou. Era essa a minha intenção, ser excitado. Ou excitante, eu não sei. Costumo sair, sim. Mas meus passeios não são tão excitantes. São... talvez exóticos, mas não excitantes. Mas eu sou um garoto excitante. Um garoto excitante que não vai a raves. Eu vou ao shopping Iguatemi, vejo a vitrine da D&G, choro, e gosto de tomar umas quatro cervejas supergeladas no Bar do Bocage na Consolação. E-mail eu quase não uso, não. Legal é fazer programas assim, ir ao teatro sempre. Eu amo. É o que eu faço da vida. Minha. E gosto de ver a Regina. Às vezes a gente toma porre de champanhe. E faz produção cultural desenfreada que dá em nada. Abandonei o curso de artes cênicas e depois abandonei o curso de psicologia. Caramba. Talvez eu estude antropologia. Antropologia é legal. Você conhece uma canção chamada my funny valentine? Gosto de trepar ouvindo my funny valentine. Caramba. Mas bem baixinho. Porque eu gosto de ouvir a respiração do outro. Tenho foto sem óculos. Mas eu nem exibo. É uma medida de segurança que utilizo. Mas existe uma porção de outras medidas de segurança que eu não utilizo. Eu quase nunca tranco a porta. E me permito paixão. Caramba.



 

 

 

 

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