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23.9.04
interno

Átrio, onde você está? Ele pode sentir meu abraço e baunilha, gostaria que você presenciasse. Sua cauda negra, longa, a aneleira, é também por onde me comunico com os alienígenas. Ele veio disfarçado de "meu amor", quer disfarce mais cruel? Onde encaixamos os nossos modelos perdidos? Ele vai sublocando os halos como se fosse tirar a poesia da verdade, estou chocado com o seu jeito de esconder a lua e seus círculos brilhantes. Não sinto mais vontade de brilhar, quero refratar. É, definitivamente, uma despolarização. Doloroso. Aprendizado. Os sagitarianos ficam quase ridículos com essa falta de vergonha saudável que eles têm, é algo que eu precisaria ter também. "Como" "possuir"? Eu, aluado e desprezado como uma ofensa. Você percebe, o mundo está para fora. Átrio, onde você está?


21.9.04
Pela estrada, pela estranheza.

O caminho que o artista percorre para chegar em qualquer lugar é longo, mas há uma paisagem que compensa. Por isso eu me sinto fantástico, e cansado. A salvação sabe onde estou, mas eu não sei onde está a salvação. Não estou perdido. A minha temperatura estava errada. Escrevi a própria pele da estrada. Em meus próprios termos, vivendo, consigo escrever o conto sobre os anjos colossais, e o sinto maduro e verdadeiro, mas depois vem o silêncio, a inércia, a saudade... Ele continua incompleto. Eu continuo incompleto. Mas serei para sempre assim. Por enquanto, deixo o cara brilhar completamente na minha memória. Eu desfaço as coisas feias que eu fiz. Desmoronando como uma nuvem ao voltar para casa.


11.9.04


8.9.04
flores válidas e reflexo

Estamos em todas as gaiolas
E não estamos brincando
Nossos corações estão cheios de pêlos de cachorro
Os cadeados abertos estão assumindo um risco
A verdade é a decoração definitiva
Os pássaros estão na sala
As carruagens levarão os cavalos
Ficar em pé é dançar


Beth Gibbons



 

 

 

 

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