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29.8.04
E se os terrestres se esqueceram de você, diga à terra imóvel: eu fluo. Para a água corrente, diga: eu sou.
Rainer Maria Rilke
25.8.04
24.8.04
Om Mani Padme Hum
...Tudo que eu quero é um acorde perfeito maior/ Com todo mundo podendo brilhar num cântico/ Canto somente o que não pode mais se calar/ Noutras palavras sou muito romântico...
21.8.04
Oom... oom... oom...
Pessoas adoráveis e inteligentes buscam a aniquilação do ego e caminham sobre as estrelas e suas identidades brilhantes; perseguem apaixonadamente o futuro tão profundamente cristalino e criam laços com os convivas e os espelhos sorridentes porque o zen é festa e o amor é paz.
20.8.04
18.8.04
doces acumulados (lágrimas de um persa)
Suspiros e legendas aportam aqueles que dormem sob o azul. Eles se mantêm no sonho e não há confusão, nem CNN e não é nada químico, nem militar, nem americano É um sonho na África, uma tempestade da África Passageira (como a perna de uma criança?) Onde eles possuem o ritmo do real, mas nada é real. O vento é o amado e o doente. Manter-se cantando é o coração. Eu o ouço, embora distante. E sinto sua docilidade saltando e afirmando: A liberdade é o amoroso escondido. As idéias são as asas.
14.8.04
observador inoperante
Eu sou aquela baleia que ficou encalhada e morreu perante todo o mundo e com a própria vida. E sou também todos os cachorros presos, e livres, chorando, uivando, nascendo e ao mesmo tempo eu sou os seus donos insensíveis, morrendo. E sou a Kate Winslet. E uma barbie com cabelo duro; meus seios não têm bicos, não posso ter um bebê. E não posso abrir a boca para reclamar. Merecia algum crédito por isso. Adoraria ver você. Mas não sei o que estou fazendo no escuro.
10.8.04
Às vezes tento me colocar no lugar de outra pessoa, e fico amedrontada quando vejo que estou quase conseguindo. Como é horrível ser qualquer pessoa que não eu mesma. Tenho um egoísmo terrível. Amo a minha carne, meu rosto, meus membros com uma devoção arrebatadora. Sei que sou "alta demais" e tenho um nariz gordo, mas faço pose e me enfeito diante do espelho, vendo cada vez mais o quanto sou adorável...
Sylvia Plath
7.8.04
bilhões de pássaros vivendo no telhado
Tenho um buraco na cabeça como os golfinhos. O cabelo cobre. Eu o vejo como um caminho mínimo, sob uma abóbada de drupas, através do qual o relâmpago balneável uiva, quando me curvo diante do espelho e alço os olhos. Pareço uma criança-demônio penetrando em profundezas perturbadoras. Porém, não passo de um foguete vagando pela tela do vídeo, contraindo meu ego. Ainda me divirto com isso. Através dele eu posso me comportar da maneira que os papéis são feitos para mim, e há uma expansão, subitamente. Eu jogo um pensamento nesse "poço" e ele aceita, ele é verdadeiro, não como você, você é o abrigo do coala. Eu sou um marinheiro. Pensando no vento forte. Espalhando-me e diluindo-me nos ares pelo sopro do vento norte. Ele carrega minha náusea. Afirmando ser meu cavaleiro. Lançando os tons do seu vermelho crepitante. Mas eu esperava ser dispensado da necessidade de voltar para ele. Impossível.
4.8.04
3.8.04
sintoma
Há uma questão delicada como o meu ombro Acampada na minha cabeça encharcada de champanhe. Ela está se afogando e ninguém vai ajuda-la. Este é o seu destino frio e espumante. Há uma multidão ligeiramente solitária Fugindo de algum ventre ou sendo arrastada por ele. Mas atrás do mapa só há uma piscina vazia E o fundo incrivelmente é o lugar mais distante da borda. Estamos sem gente que saiba subir montanhas... Por que ferimentos psicológicos permanecem tão misteriosos? Sofrer em silêncio; os seus amantes adormecidos e a cabeça. Encapuzado, essas são as coisas que você precisa descobrir. Uma vez que deixo minha imaginação à solta, estou preso. Quando chego ao topo da montanha eu sou à altura. Abrindo um presente, um tombo na neve. Essa é maneira como o hiperpredador me toca.
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