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30.7.04
Segunda ou terça-feira de Virginia Woolf
29.7.04
26.7.04
perpétua
Caminhei até o Sol. Eu sei. Tais coisas não podem ser. Era tão cedo também, ninguém acreditou. Mas ele estava no portão. Minha determinação e as sandálias derreteram. Compreendi a presença indefinível da luz do poeta. É tão apartada da luz amarela dos abajures. E a única capaz de mostrar que estou perdido. E que minha longa estrada é o carrossel. E o mundo desmedido é o carrossel. Onde quer que eu vá, sou uma pedra. Viva, dependente, com uma história. Estacada e agradecida. O jardim nunca fez sequer um gesto violento. Mas as flores, após lerem Luto e Melancolia de Freud, fugiram. E, apesar de tudo, o Sol não é assim tão quente. E não se trata apenas de não ser assim tão quente. Ou tão grande. Não se pode entender o mundo sombrio de alguém Se a luz distante não coloca seu dedo na sombra.
20.7.04
19.7.04
quando chove
Sonho. Enquanto minha alma vai para um lado, minha mente vai para outro. Percorro as alternativas de amor com a minha fantasia de dragão. A viagem supõe que se está vivendo... Mas quando é que uma nuvem retorna? Seu afeto é a estação onde eu desci. Um passo que dei para dentro. Esse é o caminho natural para o delírio. A cada visita ao subconsciente fica um pouco de mim. Como o lodo que as cheias depositam nas margens dos rios. Os diálogos sinceros nascem na unidade e eles são os meus grifos. E você e o silêncio, as coisas que eu adoro imaginar. Não posso abraça-lo porque estou dormindo.
13.7.04
7.7.04
pausa corroída
Preencha meus sonhos, monstro, quando eu não puder levar todos os sapatos. E organize a minha caixa vazia. Não posso guardar todos os bilhetes que envio. Porque alguns eu nem escrevo. Eu absorvo e envio. Depois aparo a grama dos jardins dos vizinhos mais chatos. Com a força do pensamento. Aprendi a preparar banquetes em cozinhas minúsculas. Porque vejo cada romance como um leão faminto. E às vezes, os castigos de uma semana duram duas. Mas é possível contrariar as previsões. E ser feliz. Simplesmente. Estou chorando, não estou sendo horrível.
2.7.04
pensamento-diagnóstico
não pude interpor uma verdadeira barreira entre nós sou uma espécie de oceano soterrado esse é o meu maior defeito indisfarçável o meu corpo preguiçoso há um orfanato inteiro dentro dele um orfanato voador cheio de crianças voadoras algumas pessoas pensam que elas são insetos mas evidentemente são crianças e quanto mais tentam frustra-las, mais elas sonham e quando elas sonham frustradas suas asas vibrantes parecem dar porradas
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