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30.6.04
acesso ao castelo

Pairo acima do que tende a desmoronar.
Como uma névoa sutil e prateada.
A fim de preservar o que significa alguma coisa.
Imaginando quando verei um milagre outra vez.
Veja um, é incrível.
Ele deixa um rastro cintilante na tristeza.
E ela volta muito tarde para casa.
As manchas voltam muito tarde para casa.
E os manchados não gostam de ficar sozinhos na vitrine.
Por isso estou movendo as asas como uma nuvem ferida.
Não sou a tempestade, não me jogo em cima das pessoas.
A tarefa mais árdua é também a mais íntima.
Dentro do castelo só me restou desejar que eu nunca tivesse ido.
Não posso assustar todos os garotos.



Kirsten Dunst


28.6.04
Caramelo para o coração que pode ser partido.
Chove onde as duras palavras se acumulam.
O amor calha como uma pequena locomotiva.
Quando tudo parece muito raso ou vazio.
E ganha-se uma incrível disposição que impele a alma estéril
para longe das paredes desesperadas
e a transforma na melhor autora de novelas.
Mas não há horizonte em paredes.
E não se encontram paredes nos limiares.
As pessoas do mundo real se acidentam discretamente
enquanto articulam palavras fascinantes que aumentam a boca
e remanejam a admirada e fotografada construção do sempre.

27.6.04


Definitivamente eu sou um cone. Por mais inexpressivo e cônico que seja. Mas sou um cone que se movimenta com desembaraço e não um cone bobão. Um cone que pensa. Cone de criança; sóbrio, divertido. E os cones amáveis têm muitos amigos e muitos namorados e gostam de recitar poemas para as abelhas. Elas bebem muito vinho e sibilantemente cantam a mesma música repetidas vezes, por isso não se incomodam se você lê em voz alta e clara um poema gigante e absurdo. É bom.


26.6.04


Estou recebendo as flores que não me mandam. E escrevendo as mensagens em lenços de papel porque assim elas têm duas finalidades. Estou confessando a mágica. Estou me tornando outro. Ou outra. O tempo todo estou deixando de ser um pântano. Isso não é mágica, é natureza. Sei isso de várias formas. É uma espécie de Junho. Eu posso ser impiedoso, mas não devo. A minha objetividade é a minha fantasia. A minha natureza é o meu objetivo. E ele não pode ser um enigma a vida toda. Porque nós não temos a vida toda. É assim, a liberdade ensina cuidadosamente como uma história.



 

 

 

 

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