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18.12.02
2003 Je suis prête.
Entre o inesquecível e o aguardado. 2002 foi uma espécie de ponte. Tirei algumas certas coisas do lugar, e agora é vez do lugar resolver onde quer ficar. São Sebastião é um. Sozinho desta vez. Pra nada, só tomar sol. Praia, muita praia. Nada de internet, festas onde é proibido fumar ou secretária eletrônica. Vou tentar relaxar, e não me esquecer da letra de uma música de Franka Potente, na qual ela diz não acreditar em essencialidades. Promessas, profecias, chances, dor, medo, problema... Não acredito em nada disso. Natal sem Papai Noel é uma chatice. Reveillon sem resoluções e champanhe é uma chatice. Mas não vou escrever pra ninguém. Ninguém mais escreve pra mim. Acho que é porque eu demoro pra responder ou às vezes não respondo, e foda-se também, eu sou assim e zero mensagens mexia com a minha cabeça - agora não mexe mais. Este blogue sofrerá mudanças. Grandes. Mas só volta no final de janeiro, quando estarei atordoado com uma outra grande mudança. De residência. Cansa. Mas é bom começar trabalhando. Casa nova. Vizinhos novos. Padaria nova. Ruas, esquinas, amigos, disciplinas, compromisso, emprego, roupas... Tudo novo. Novinho em folha. Transformando móveis, criando luminárias, pensando em onde ficará melhor aquele sofá, e cobrir todas as almofadas com tecido novo, e pintar uma parede de amarelo, outra de vermelho, lilás no quarto, tchau tevê, oi academia, deixar o cabelo crescer, optar pelo silêncio sempre que não souber o que falar, ou se for pra falar merda... Oi ioga, balé moderno, sapateado, domingo no Ibirapuera, museu, teatro, inglês e francês, dieta, disciplina, tchau cigarro, oi novas fragrâncias, organização, perdão, espírito, corpo, mente sã, espinha ereta e o coração tranqüilo. Queimar papéis, livrar-me das provas dos pequenos crimes cometidos em conseqüência de um desenvolvimento afetado por pais indisciplinados e ausentes. Tchau família, tchau todo mundo, oi Victor. Eu vou mudar tudo. Mas continuarei dando banho no gato. Vou viajar e encarar o litoral paulista como casulo, ou caverna para hibernar, sem dormir ou parar, pra voltar refeito, bronzeado e pronto pra uma nova vida. Adoro isso. Sem alimentar problemas, birras, pessoas falsas, mesquinhas ou burras demais, mentiras não não não, e esquecer esse negócio de telefone, ai, telefone é uma droga, email é uma droga, esperança fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas é uma droga. Eu quero me livrar disso. De tudo isso. Na paz. Pôxa! Como a gente precisa de paz!!!! E se alimentar bem, e fazer uma atividade física, dançar é uma boa, cuidar do espírito, meditar, meditar, meditar, apagar, excluir, tchau arquivos inúteis, velhos, mortos, uma mesa enorme para o computador e organizada, colorida, limpa, com uma xícara de porcelana desenhada com asa cheia de canetas e lápis legais e novos e coloridos e grandes e muitos e interessantes, melhor, duas xícaras assim, e as contas em pastas, mesmo as não-pagas, organização e disciplina são remédios, planos, listas, ocupação, deixar o tempo resolver também um pouco, e sair pra dançar também é um remédio, e beijar na boca e não ficar mofando domingo em casa comendo, e cuidado com o cartão de crédito, economia também é um remédio, acompanhar o desenvolvimento político, cultural, social do nosso país, e do condomínio e procurar fazer sempre as coisas sempre para o bem sempre começando acreditando e desejando bom dia, boa tarde, boa noite, parabéns, saúde, paz de Cristo, e não esquecer das plantas, dos bichos, fazer por onde, e mais verde, mais caminhadas, diálogos sinceros, perdão, perdão, perdão, espelho sem crítica, respirar, parar, parar pra pensar, verde, verde, verde, banheiro azul com um quadro enorme com uma foto enorme de um cara enorme surfando, ler mais, gostar mais, reclamar menos, bem menos, calar um pouco a boca, e aceitar mais as pessoas e as coisas e as baguetes recheadas como elas são. Sem remorsos. Sem desculpas esfarrapadas. Com incensos, com perfumes, com paciência, com limpeza, com sinceridade. Cama gostosa, convidativa, e a casa um lugar seu de verdade, a casa é uma amiga. Arrumada. Está com preguiça? Faz com preguiça mesmo. Sem Ricardos, sem esperas, sem vergonha. Limpo. Novo. Tá todo mundo perdoado, mas não me enche o saco. Mais livros, menos Caras. Será que os materiais reciclados sofrem muito no processo de transformação? Verei. Chamem-me, hoje, de latinha. Quando voltar preciso de um emprego. Desta vez usarei o martelo para pregar e não para quebrar vasos. Não sinto este final como os outros. É verdade, feliz natal. Que o ano de 2003 seja realmente a nossa vez. De alcançar. Tudo.
Victor Carbone, um amor de pessoa.
pra ler nas férias:
MAIS UM DRINQUE de Kate Christensen. Uma história de amor dos anos 90.
BERKELEY EM BELLAGIO de João Gilberto Noll. Um retrato angustiante de alguém que procura um porto num mundo que só lhe oferece, sempre, as margens. PAISAGENS ORIGINAIS de Olivier Rolin. Viagens através dos textos, dos lugares e do tempo de Borges, Nabokov, Hemingway, Michaux e Kawabata. COMO ATORMENTAR UM HOMEM de Osmar Freitas Jr. e COMO ATORMENTAR UM HOMEM, Versão Gay de Diógenes Moura.
16.12.02
trecho de Esperando Godot de Samuel Beckett
"Não vamos perder tempo com discussões inúteis! Vamos fazer alguma coisa, Já que essa oportunidade, Não é todo dia que precisam de nós. Outros poderiam tratar o assunto tão bem ou melhor que nós. Esses gritos de socorros que ainda me reboam nos ouvidos Foram dirigidos a humanidade inteira! Mas neste momento, neste lugar, A humanidade inteira se resume a nós Queiramos ou não. Vamos fazer o melhor que pudermos, Antes que seja tarde demais! Vamos representar com dignidade Pelo menos uma vez na vida, O papel que um destino cruel nos reservou. Que é que você me diz? (Estragon não diz nada) É evidente também que, se ficarmos de braços cruzados, Sem fazer nada, pesando os prós e contras, Também faremos justiça à nossa condição. O tigre se precipita em socorro de seus congêneres, Sem a menor reflexão. Ou então, esconde-se no recesso mais fundo da floresta. Mas a questão não é essa. O que estamos fazendo aqui, essa é a questão E nessa imensa confusão Uma coisa é clara: Estamos esperando Godot!"
perciperias 010 - oceano insone
13.12.02
The Hours
Nicole Kidman é Virginia Woolf
Julianne Moore é Laura Brown
Meryl Streep é Clarissa Vaughan
8.12.02
Tinha que chover.
7.12.02
"There is no solution because there is no problem." Marcel Duchamp ![]() Melissa Etheridge
5.12.02
realista e su
Neste apartamento de idéias e contas atrasadas - danço e alimento os bichos e cuido das plantas - como se elas fossem reféns - como eu sou - das idéias e das contas - em troca de água - dos bichos e das plantas - em troca de alguém que não saiu na foto - danço pra ninguém - para um gato e a estante branca - o sofá da sala é o espectador que mais me aplaude - testemunha das vezes que te sento pra ligar pra você e não ligo - são apenas números - depois são apenas palavras - mas eu não consigo - acho que prefiro as palavras antes dos números - foto a gente tira pra esconder em álbum - uma ou outra vai pra porta-retrato - mas tem ainda aquele vidro que te separa da pessoa - tem sempre alguma coisa que te separa da pessoa - e tem gente que conversa com isso - eu, por exemplo - conversas - com paredes - muitas delas num tom abertamente obsceno - já que elas têm ouvidos - com essas coisas que nos afastam - muros reparam em mim - vidros me limitam - eu pensei que você fosse um perfume - mas você é uma foto - uma camisa sem um botão - um ventilador desligado - um apartamento pra alugar - um grito que a gente fala sem querer - você não fecha até o fim - reflui e volta - como sonhos esquisitos - refloresce mas logo me perde - um rio que precisa de um empurrão - um mar que precisa de um sopro - porque reflui e volta - com números diferentes nas velinhas de aniversário - por causa dessa louca combinação de touro com capricórnio - vago e triste - qual deles eu sou? - realista e su - emagreci - chio com as cigarras - agora minha paisagem interna mostra um quadro que eu vi no Masp - uma imagem que eu roubei de um impressionista - e uma bailarina - eu sou as duas coisas.
4.12.02
Rome wasn't built in a day.
Ando meio sumido mesmo, até de mim. Eu fico tão besta em dezembro. Eu como brócolis. Fico esperando alguma coisa. Dezembro. Papai Noel. Vai me deixar na mão outra vez. Vou deixar meu cabelo crescer. Eu quero ficar igual ao cara da foto. Eu vou escrever pra todo mundo. Vou comprar os cartões de Natal da AACD. Especial do Roberto Carlos. Retrospectiva. Shoppings lotados. Tudo de novo. Ruas iluminadas. Fila do supermercado. Vou preparar uma ceia com frutas e massas. Eu gosto dessa proposta de mudança que existe em dezembro. Tem essa coisa de lista. Época de querer presente e férias. Vida bandida. Cássia Eller. Essa música me lembra as duas Amandas. Minha vida. Eu falo dela, mas eu quero falar de mim. Aos poucos, aos poucos...
2.12.02
perciperias 009 - essas coisas
1.12.02
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© Copyright muigats by Victor Carbone 2001-2005
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